Gustavo Lopes

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Como anular um jogo de futebol

A história aponta raríssimos casos de partidas que foram invalidadas

08/03/2019 às 01:36

A decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) que anulou a partida entre Aparecidense e Ponte Preta pela Copa do Brasil trouxe à tona o debate em torno das interferências externas nos resultados desportivos.

Cada jogo de futebol corresponde, em regra, a um microcosmo em que as decisões e resultados resolvem-se instantaneamente sem a possibilidade de alteração e interferência externa. A história aponta raríssimos casos de anulação de duelos.

Nas eliminatórias asiáticas para a Copa de 2006, entre Uzbequistão e Bahrein, o árbitro japonês Toshimitsu Yoshida anulou um gol do Uzbequistão após uma cobrança de pênalti sob o fundamento de que um jogador da seleção uzbeque teria invadido a área. Entretanto, ao invés de de mandar repetir a cobrança, como determina a regra, o árbitro marcou falta a favor de Bahrein.

Nos Tribunais Desportivos entendeu-se que Yoshida baseou-se em tradução mal feita do livro de regras da Fifa, do inglês para o japonês. O embate foi anulado.

Em 1997, em jogo do Campeonato Alemão entre Munique e Karlsruhe, no fim da confronto o árbitro Michael Malblanc apitou falta de um atacante do Karlsruhe. No entanto, o atleta empurrou a bola para as redes, mas Malblanc, ao invés de anular o gol, apontou o centro do gramado e validou. A federação alemã anulou o encontro.

No campeonato grego, em 2018, o jogo entre PAOK e AEK foi anulado quando o presidente do PAOK, supostamente com uma pistola na cintura, entrou em campo para tomar satisfações com o árbitro, inconformado com um gol invalidado do seu time. Por falta de condições de segurança adequadas, a arbitragem encerrou a partida.

No Brasil, já houve um Fla x Flu anulado. O incidente se deu no Campeonato Carioca de 1916, quando conselheiros e torcedores do tricolor invadiram o campo e impediram o prosseguimento do jogo porque o árbitro mandou o Flamengo bater três vezes o mesmo pênalti. 

Não se pode esquecer, ainda, o Campeonato Brasileiro de 2005, que teve 11 confrontos anulados pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva, por ter havido envolvimento do árbitro Edílson Pereira de Carvalho com apostadores que manipulavam resultados.

Segundo as normas da Fifa, um embate pode ser anulado quando houver erro de direito, ou seja, quando árbitro toma decisão contrária às regras do jogo, e não por falha de percepção. A influência externa configura erro de direito.

Por influência externa entende-se informações de uma pessoa que não componham o quadro da arbitragem. 

No caso Aparecidense x Ponte Preta, após ouvir o árbitro da partida, o STJD entendeu haver prova cabal de influência externa e aplicou art. 259 do CBJD, anulando o jogo.

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