Rômulo Ávila

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Futebol ingrato

14/02/2020 às 08:56

(Bruno Cantini (Atlético) e Vinnicius Silva (Cruzeiro)
Bruno Cantini (Atlético) e Vinnicius Silva (Cruzeiro)

O dicionário Aurélio define gratidão como "reconhecimento por um benefício recebido; agradecimento; ação de reconhecer ou de prestar reconhecimento a alguém por algo bom; obrigado".

Ser grato é uma virtude praticamente inexistente no milionário mundo do futebol brasileiro. O zagueiro Dedé e o ex-volante Adilson me fazem ter certeza disso.

Dedé passou anos no departamento médico do Cruzeiro se recuperando de graves lesões. Muitos diziam, inclusive, que ele sequer teria condição de voltar aos gramados. Mesmo assim, o Cruzeiro acreditou nele, continuou pagando seu salário e renovou contratos.

Agora, na pior crise da história do Cruzeiro, Dedé é indiferente e demonstra não ter a mínima preocupação com o momento do clube que o acolheu. Nem digo isso pela decisão do jogador de não querer disputar a Série B. É direito dele. O que mais me impressiona é a maneira como Dedé tem virado as costas para o Cruzeiro, clube que o possibilitou os títulos mais importantes da carreira e o projetou ainda mais no cenário nacional. É ingratidão.

E se a situação fosse contrária, com o Cruzeiro na Série A e Dedé lesionado (como já ocorreu várias vezes). Será que o zagueiro não se reapresentaria ao clube na data certa? 

O caso do ex-volante Adilson também é outro exemplo. Surpreendido (assim como o Atlético) com o diagnóstico de um problema no coração que o obrigou a encerrar a carreira precocemente, o jogador foi mantido no clube como auxiliar, mas acionou a Justiça logo que foi dispensado, no começo deste ano.

Não estou entrando no mérito dos dois casos, até porque somente as partes envolvidas sabem os detalhes. Como diz o ditado, cada um sabe onde seu calo aperta. Mas a imagem que fica é a de querer mais do que realmente tem direito.

E o Fred? Não fiquei surpreso com a ação na Justiça do Trabalho, mas acho que faltou gratidão, ainda mais para um cruzeirense. O centroavante cobra R$ 31 milhões do clube.  Sou péssimo em matemática, mas fiz umas contas e concluí que o Cruzeiro precisaria de mais de 2,5 milhões de novas adesões ao programa Sócio Reconstrução para bancar a pedida do camisa 9.

Por essas e outras sou contra a idolatria de jogadores. Torcedor tem que gostar do clube, assim como os atletas gostam de dinheiro.

Parafraseando William Shakespeare, a gratidão parece mesmo ser um tesouro somente para os humildes.

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