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Covid-19: no Brasil, um a cada três casos já ocorre no interior; infraestrutura preocupa

Por Agência Estado , 02/06/2020 às 15:02
atualizado em: 02/06/2020 às 15:59

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Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Em meio ao anúncio de relaxamento de quarentena em vários estados, o novo coronavírus avança pelo interior do Brasil. A área já registra um terço dos casos confirmados de covid-19 no país e tem ritmo de crescimento mais acelerado do que o observado em capitais e suas respectivas regiões metropolitanas, segundo levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo com base em dados das secretarias estaduais da saúde compilados pela plataforma colaborativa Brasil.IO, que reúne estatísticas por município.

Foram analisados os dados acumulados de casos e mortes pela doença até 28 de maio. Os números mais atuais foram comparados com os cenários de um e dois meses antes para que fosse avaliada a evolução da covid-19 pelo país.

No fim de março, 12,4% dos casos confirmados de covid-19 no Brasil haviam sido registrados em municípios do interior. No fim de abril, esse porcentual passou para 18,6% e, na data mais recente, saltou para 34,5%, o que representa mais de 150 mil infecções confirmadas nessa parte do país.

O número de óbitos registrados no interior segue trajetória semelhante: passou de 9,2% no fim de março para 17,8% no fim de abril e agora representa 22%. Eram quase 6 mil vítimas nessas regiões no fim de maio.

Quando calculada a taxa de casos por 100 mil habitantes nos municípios afetados, o índice cresce com quase o dobro da velocidade no interior.

Outro dado que indica a interiorização da pandemia é o crescente número de municípios brasileiros com ao menos um caso confirmado da doença. No fim de março, eram 299. Um mês depois, eram 1.953, e atualmente já são 4.098, o equivalente a 73,5% das cidades brasileiras.

Oito estados já registram mais casos no interior do que nas capitais e regiões metropolitanas: Minas, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Falta de estrutura

Além de sinalizar a ocorrência de novos focos de disseminação do vírus, a interiorização da pandemia traz a preocupação de como o sistema de saúde menos estruturado dessas localidades conseguirá oferecer assistência adequada ao crescente número de infectados.

Segundo dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), embora as capitais reúnam 24% da população brasileira, 48% de todos os leitos de UTI adulto estão concentrados nelas.

Para o virologista Pedro Vasconcelos, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical e pesquisador do Instituto Evandro Chagas, é preciso que os governos estaduais fiquem atentos à situação do interior antes de anunciarem planos de reabertura ao primeiro sinal de declínio de novos casos nas capitais.

"A interiorização é um problema muito sério porque o interior não tem a mesma infraestrutura de atendimento e retaguarda hospitalar que as capitais. Isso já começou a acontecer em alguns estados e traz dois cenários possíveis: ou o número de infectados vai crescer de forma que o sistema de saúde dessas localidades não vai dar conta e acabará colapsando ou esses doentes irão para as capitais, sobrecarregando mais o sistema e aumentando risco de uma nova onda onde a situação já era de declínio", ressalta.

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