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Vizinhos

Por Itatiaia, 06/05/2020 às 10:58
atualizado em: 06/05/2020 às 11:00

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Um homem muito bom habitava uma velha e espaçosa casa.

Por todos os seus caminhos aprendera a andar e nas gavetas guardava as mais doces e as mais amargas lições.

Anos a fio, o homem bom andava pelos cômodos, revia os quadros e retratos, relia as cartas, remexia todas as recordações e depois debruçava na janela.

Olhava o mundo diante de sua casa e sempre imaginava que todas as coisas, mesmo as que ocorriam longe, fossem como suas lembranças e ficava bem apenas consigo mesmo.

Certo dia, cansado da rotina, visitou um vizinho. Viu sua casa, a disposição de seus móveis, seus retratos na parede. Visitou outro vizinho, e mais um. Visitou a todos da rua. Em seguida, abriu a porta de sua casa e chamou a todos para visitá-lo e ver seus tesouros.

E tal era a alegria que ele foi abrindo armários e gavetas e dando-se a todos. A rua ficou encantada e houve muitas festas.

O homem bom percebera que nada que tinha, nenhum tesouro, nada guardado lhe valia, senão dividido, discutido, repensado. Assim, a cada passagem de ano, ele abria todas as portas e todas as janelas de sua casa para que todos e tudo por elas entrassem. As recordações ficaram intactas, mas seu coração estava aberto para as novidades que lhe vinham contar. Viveu muitos e muitos anos.

E todo ano, quando se aproxima o ano novo, abrem e remexem nas gavetas, riem e choram suas lembranças, mas antes abrem o coração para o novo. Não temem o futuro, não se enfurnam, se unem todos e esperam, como se nada fosse acabar. Os anos e os dias fossem eternos e certos de que a cada instante a vida acontecerá!

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